
O debate de ontem entre Cavaco e Soares confirmou aquilo que se esperava. Um Soares sempre ao ataque e um Cavaco a jogar na defensiva, sem nunca procurar sequer responder às provocações que lhe foram dirigidas pelo seu adversário. Foi o debate mais interessante de todos os que assisti, se bem que não tenha trazido novidades nos discursos de ambos os candidatos.
Soares reforçou aquilo que já sabemos e que eu próprio escrevi aqui no blog: a responsabilidade de Cavaco na grave crise financeira e económica que hoje vivemos, considerando-o, o pai do "monstro" chamado défice orçamental. Reforçou também uma ideia que eu já havia deixado clara aqui, a de que a sua experiência de (má) gestão dos dinheiros públicos durante 10 anos em tempo de vacas gordas, nunca poderá servir de mais-valia para a magistratura de Presidente da República. Não pode servir. Mesmo que essa gestão tivesse sido exímia (o que não aconteceu).
Cavaco apareceu no debate com uma postura muito moderada, como de resto já lhe conhecemos. O seu discurso foi novamente centrado nas questões económicas, que como sabemos não são competência do P.R.. Não podem existir duas estratégias económicas para o país. Essa é uma matéria que diz respeito ao governo e à Assembleia da República. Cavaco nunca ajudou o país a sair da crise (pelo contário), não será agora que o poderá fazer.
Achei curioso, quando o professor, com aquele seu ar pretensioso, perguntou porque é que Portugal está nesta grave crise enquanto a Espanha já encontrou o caminho do desenvolvimento há muito tempo. Eu respondo-lhe Sr. Professor: por sua causa. Porque você foi durante dez anos, o travão desse desenvolvimento, por todas as razões (e não só) que referi no primeiro post que publiquei aqui no blog.
Cavaco bem tenta passar uma imagem de moderador, de conciliador, de salvador, mas não consegue disfarçar aquela distância, aquela arrogância ("nunca me engano e raramente tenho dúvidas"...-brilhante, Sr. professor) que lhe conhecemos. Foi neste sentido que Soares o atacou, afirmando que a sua experiência e os seus escritos não são a Bíblia, considerando-o mesmo "um economista razoável". Nem isso parece ser.
Na minha opinião e ao contrário do que tem transparecido nos debates, e especialmente no debate de ontem, Soares aparece como o guerreiro combativo, (sem grandes ideias é certo, mas com uma experiência política imensa), mas a sua batalha é contra aquilo que ele acha ser uma política errada para o cargo que vamos eleger em Janeiro. Caso seja eleito exercerá realmente uma magistratura de moderação (como ele próprio fez questão de referir em diversas circunstâncias). Cavaco, não debate ideias concretas, fala de economia (valendo-se do clima de instabilidade económica que vivemos) e do seu (in)"glorioso" passado, vendendo "gato por lebre". Se for eleito exercerá a magistratura da imposição.


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